Você já parou para pensar que, no Brasil, uma garfada pode ser uma aula de história? Muito além dos pontos turísticos de cartão-postal, existe um país que se revela no estalar do toucinho, no perfume do tucupi e na paciência de um queijo que cura no tempo certo.
Aqui no Viagem Brasil, a gente acredita que para conhecer o “Lado B” de um destino, você precisa sentar à mesa. Em 2026, o luxo não é mais o banquete ostensivo, mas sim o pertencimento. É saber quem plantou o que você come.
Preparamos uma expedição por 5 regiões onde a culinária não é apenas sustento, é a biografia viva de um povo. Prepare o apetite e mude a rota!
Leia também: Culinária Paraense em Belém: O Guia de Sobrevivência (e Delícias) para Iniciantes no Ver-o-Peso
1. O Recôncavo Baiano: O Dendê que Atravessou o Oceano

Esqueça por um momento a orla de Salvador. O coração pulsante da Bahia está no Recôncavo. Ali, entre cidades como Cachoeira e Santo Amaro, a comida é um elo sagrado com a África.
O azeite de dendê não é apenas um ingrediente; é uma herança de resistência. Ao provar um Maniçoba (feita com a folha da mandioca moída e cozida por sete dias) ou um Ximxim de Galinha, você está degustando a história de um povo que transformou a escassez em banquete ritualístico. É a cozinha de terreiro que ensinou ao Brasil o que é tempero de verdade.
2. O Sertão do Seridó (RN): A Resistência em Forma de Carne de Sol

No interior do Rio Grande do Norte, o sol não é apenas uma condição climática, é um cozinheiro. O Seridó é o berço da melhor carne de sol do país. Mas por que ela é tão importante?
Antigamente, sem geladeiras, o sertanejo precisava “curar” a carne com sal e vento para sobreviver às longas jornadas. Hoje, cidades como Caicó oferecem uma experiência gastronômica completa: a carne de sol com nata, o queijo de coalho e o arroz de leite. É o sabor da resiliência de quem aprendeu a extrair do solo seco uma das gastronomias mais ricas do Nordeste.
3. A Serra da Canastra (MG): O Ouro Branco e o Tempo do Queijo

Minas Gerais foi eleita um dos melhores destinos gastronômicos do mundo em 2026, e a Serra da Canastra é a joia dessa coroa. Aqui, o “Lado B” é subir as estradas de terra para encontrar o pequeno produtor.
O Queijo Canastra é patrimônio imaterial. Ele conta a história dos tropeiros e da ocupação das montanhas. O terroir — a altitude, o pasto e o clima — dá ao queijo um sabor impossível de replicar. Visitar uma fazenda, ver o “pingo” (fermento natural) agir e comer um pão de queijo assado no forno a lenha é entender por que o mineiro não tem pressa: a perfeição exige tempo.
4. A Ilha do Marajó (PA): A Floresta que se Come de Colher

Se o Pará é a nossa “Tailândia brasileira”, a Ilha do Marajó é o seu segredo mais bem guardado. No maior arquipélago fluviomarítimo do mundo, a comida tem sotaque indígena e força de búfalo.
Você precisa provar o Filé a Marajó (coberto com o autêntico queijo de búfala da ilha) e o Caldo de Turu (um molusco extraído dos manguezais). É uma gastronomia de extrativismo consciente, onde a floresta dita o cardápio. É a prova de que a nossa ancestralidade nativa continua viva em cada cuia de tacacá.
5. O Litoral de Santa Catarina: A Rota Açoriana e o Mar

Muito além do agito de Floripa, vilas de pescadores como Ribeirão da Ilha e Santo Antônio de Lisboa preservam a herança dos imigrantes açorianos.
Aqui, a história é contada pela farinha de mandioca fininha e pelo peixe seco no varal. O prato que define essa conexão é a Casquinha de Siri ou o Peixe com Pirão. É uma cozinha de mar e pé no chão, que valoriza o trabalho manual e a paciência de quem espera a maré certa.
Como Planejar seu Roteiro Gastronômico Lado B?
- Fuja do Óbvio: Procure restaurantes que não tenham grandes placas, mas que tenham “Dona Fulana” na cozinha.
- Valorize o Produtor: Em 2026, o turismo regenerativo é lei. Compre queijos, doces e méis diretamente de quem produz.
- Respeite a Sazonalidade: Peça o fruto da estação. No Brasil, cada mês tem um sabor diferente.
Dica do Viagem Brasil: A estrada pode ser de terra, mas a recompensa é um sabor que você não encontra em nenhum aplicativo de entrega. Onde a estrada termina, a experiência começa!
Conclusão: O Brasil é o que se Degusta
Viajar pelo Brasil e não mergulhar em suas cozinhas regionais é como ler apenas a capa de um livro fascinante. Como vimos, cada tempero, técnica de cura ou modo de preparo é um capítulo da nossa história — uma herança que sobreviveu ao tempo para chegar, fumegante, à sua mesa.
No Viagem Brasil, acreditamos que o verdadeiro luxo não está na sofisticação técnica, mas na verdade do ingrediente. Seja no queijo que descansa na Serra da Canastra ou no dendê que ferve no Recôncavo, a gastronomia de raiz nos ensina que o país “Lado B” é generoso, vibrante e, acima de tudo, autêntico.
Da próxima vez que você colocar o pé na estrada, desafie seu paladar. Saia da rota dos aplicativos de avaliação e pergunte aos locais onde mora o melhor tempero da cidade. Afinal, onde a estrada termina e o aroma do fogão a lenha começa, é ali que a sua verdadeira viagem se inicia.
E para você, qual sabor tem o gostinho de “Brasil de verdade”? Deixe seu comentário aqui embaixo e compartilhe aquela descoberta gastronômica que mudou a sua rota!



Pingback: O Ciclo do Café: Um Roteiro pelas Fazendas Históricas do Vale do Paraíba (Onde a História Ganha Sabor) - Viagem Brasil
Pingback: O que são Roteiros Gastronômicos? Descubra como viajar pelo paladar (e fugir do óbvio) - Viagem Brasil